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O nexo causal entre crédito rural e crescimento do produto agropecuário na economia brasileira

Fábio Moura
NUPEC/UFS

26/06/2017 – Segunda-feira
18:00 às 19:00
Sala: Auditório do CCSA II

RESUMO

O nexo causal entre desenvolvimento financeiro e crescimento econômico vem ganhando destaque na literatura desde o início dos anos 1990. As principais linhas teóricas nessa área buscam demonstrar qual a significância da relação e o sentido da causalidade, se houver. Causalidade unidirecional no sentido do desenvolvimento financeiro para o crescimento econômico, bicausalidade entre ambos, e causalidade reversa, no sentido do crescimento para o desenvolvimento financeiro, são as principais hipóteses testadas nas pesquisas empíricas. O presente trabalho tem por objetivo avaliar o nexo causal entre crédito (como um indicador do desenvolvimento financeiro) e crescimento no setor agropecuário brasileiro. O crédito rural como proporção do PIB agropecuário cresceu substancialmente desde meados da década de 90, passando de 15,44% em 1996 para 65,24% em 2014. Ao longo do período 1969-2014, a razão anual média entre crédito rural e PIB agropecuário foi de 43,87%. No mesmo período, o produto agropecuário cresceu em média 3,76% ao ano. Questiona-se se no mercado rural o crédito causa o crescimento agropecuário, se ocorre causalidade reversa ou se a hipótese de bicausalidade se opera. Para avaliar o nexo causal entre essas duas variáveis econômicas foram empregados quatro procedimentos metodológicos: teste de causalidade de Granger em uma representação VAR com a abordagem de Toda e Yamamoto, teste de causalidade de Granger em um modelo FMOLS (Fully Modified OLS), teste de causalidade de Granger em um modelo ARDL (Autoregressive-Distributed Lag) e teste de causalidade de Granger no domínio da frequência, com o uso do método de Breitung e Candelon. Os resultados mostram de forma uniforme a presença de causalidade unidirecional do crédito rural para o crescimento do produto agropecuário. Causalidade reversa, no sentido do crescimento agropecuário para o crédito rural, não foi detectada de forma significativa em nenhum dos quatro métodos empregados. A não detecção de bicausalidade pode ser uma evidência do impacto exercido pela forte política de subsídio governamental sobre o comportamento dos agentes que ofertam recursos no mercado rural. A decisão do Governo quanto ao montante anual de crédito, disponível a taxas de juros subsidiadas, pode estar impedindo que o desempenho do setor agropecuário, medido pela sua taxa de crescimento, exerça uma influência significativa na dinâmica do crédito rural. Os resultados também abrem a possibilidade de se testar a hipótese de exogeneidade do crédito rural, o que seria uma extensão direta dos resultados obtidos.

parcerias

CEDEPLAR/UFMG

Federação das Indústria do Estado de Sergipe – FIES

Observatório de Sergipe

PPGE/UFBA

University of Illinois at Urbana-Champaign

Universidade de Oviedo
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