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XXI Seminário de Diamantina

É com satisfação que anunciamos a chamada de trabalhos para o XXI Seminário de Diamantina que, nesta edição, tem como eixo central o “Planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas”.

O quadro do país e do mundo é de crises ainda mais desafiadoras do que as que enfrentamos em 1982, quando o primeiro seminário foi realizado. Mais uma vez, é preciso mobilizar a coragem, a lucidez e a solidariedade, sem as quais somos ainda mais vulneráveis, frente a um ambiente marcado por constantes manifestações de regressismos e de barbárie.

Como sempre, o seminário cria um espaço privilegiado para a discussão de algumas das grandes questões desses nossos tempos de trevas, a partir de núcleos temáticos que visam iluminar, ao menos em parte, aquilo que importa hoje.

Este ano é marcado por importantes efemérides históricas. Do ponto de vista global, comemoramos 250 anos da publicação do livro A Riqueza das Nações, de Adam Smith, assim como, simbolicamente, da Independência Estadunidense. Discutir esses temas, hoje, tem o sentido de avaliar as profundas contradições da longa hegemonia liberal. O ano marca também 90 anos da Teoria Geral, de John Maynard Keynes, cuja influência ao longo do século XX e no início do século XXI continua atual no debate sobre o papel do Estado na economia. Do ponto de vista local, em Minas Gerais, comemoram-se os 120 anos do início do Governo João Pinheiro e os 70 anos do Governo Juscelino Kubitschek, à frente da Presidência da República no Brasil. São dois marcos importantes para Minas Gerais e o Brasil que merecem reflexão.

No prisma literário, 2026 registra o setentenário da publicação de dois livros de João Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile. A lembrança de Guimarães Rosa aqui é mais do que incidental em relação ao item anterior. Afinal, tanto Juscelino quanto Guimarães Rosa formaram-se em Medicina, pela UFMG, foram contemporâneos na Faculdade e, em Belo Horizonte, pertenceram, de fato, à geração que construiu uma das mais significativas vertentes do modernismo brasileiro.

De tal modo que é possível ver a relação de Juscelino – prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e presidente da República – como o contraponto moderno-vanguardista, que Guimarães Rosa radicalizou em seu Sertão – que é o mundo – do que foi, do que é, mas, sobretudo, do mundo das possibilidades, do que se recusa a aceitar que a última palavra sobre o mundo já foi dita.

Por fim, e não menos importante, o Seminário marca o início das comemorações dos 60 anos do Cedeplar. As primeiras iniciativas para a criação do centro deram-se em 1966, para a efetiva criação em 1967.

Finalmente, uma nota de saudade e homenagem para lembrar a ausência, há 40 anos, de José Santana de Araújo; de Antônio Luís Paixão, há 30 anos; de Maria Regina Nabuco, há 20 anos; de Rodrigo Ferreira Simões, há 10 anos.

Quarenta e quatro anos depois, continuamos a acreditar que estamos apenas começando. Como disse Murilo Mendes, “nascer é muito comprido”.

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